domingo, 30 de outubro de 2011

Poeta V


 ele sopra
arqueja a pele e arrepia
subo e tremulo
encaixando em vibro
nossos corações
palpitante pelos toques
estimulando meus
abafos ruidosos
suando vidros do inverno
que ainda não chegou
moldando o quadril
fricção deslizante de puro amor
e sulcos torneados em
trilhas na pele branca
dos olhos nevoentos
expostos
à azul profundo
beijos molhados
que jurei nunca te dar
penso (e gemo)
em voz alta
voz rasgada
reivindicada pelos sofrimentos
quais não te culpo
vai me arranha
me ganha
mesmo que tu sejas grande demais 
me adentra
até os sombrios pensamentos
e ocultos sentimentos
que sussurram em teu ouvido
para tu finalmente entenderes
que és tu quem eu quero