sábado, 1 de outubro de 2011

Anthony L. B.

Imagina tu, com suas palavras em repetido fracasso, um dia, soubesse o suficiente do que eu vejo do outro lado. Você disse que não esqueceria, mas o fez. O que sempre me pareceu constante, você levou. A noite geme de frio e o céu fica chorando em mim, tudo, absolutamente tudo me lembra o tempo inteiro da forma mais repugnante possível que agora eu sou sozinha. Sou sozinha e não estou nem comigo mesma, me perdi e não me encontro. E eu não sinto vontade de voltar. Eu poderia parar assim, sem fazer mal a ninguém, eu poderia ser invisível - se é que já não sou - e fingir, só um pouco, que a vida faz sentido e que as coisas deveriam estar no lugar em que estão. Mas eu sinto sua falta. Sua maldita falta. A falta do calor eloquente, da promiscuidade, da sujeira atraente que saia da sua boca toda vez que você pensava algo profano. Eu sinto falta da ardência dos seus olhos quando se deparava com a simplicidade da nossa relação. Ascorosos rasgões e feridas abertas. Foi assim que você me deixou.

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