quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Eu não suporto mais o passageiro,
O que não é permanente eu deixo ir sem dor.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Ainda que minha particular poesia cante
palavras repetidas de sentimentos ambíguos
ao escrever eu me dispo das vestes
que me embebam dos mares da dor
Nua e repleta de azul, ofereço aos céus meus cânticos
e infortúnios causados pelos meus olhares românticos
Minhas palavras são tão repetidas
quanto os ecos de meus gritos
contraditórias cantam réplicas
dos próprios males
que através delas
renuncio.
Sinto os dias escaparem de mim como vagas paisagens entre os piscares de olhos que observam algo em movimento. 

Eu não desejo a perpetuação do agora, mas o sentir destilar em minha pele e adentrar meus poros e feridas o gosto de todos os dias, sentir-me novamente envolta da sensação de estar viva e presente em minha própria realidade.

O que eu sinto agora é como o trepidar de vento que ainda gelado me beija a nuca e uiva em meus ouvidos os fragmentos do meu cotidiano que eu mesma não vivi, silenciosamente. 

O que me rodeia é passageiro e superficial, sinto de maneira dolorosa e melancólica a falta de minha antiga percepção, como uma úlcera visceral que pulsa.

Eu rasgava e engolia minha vida crua, inteira e a violência dos dias me carcomia os órgãos por dentro, era dolorosamente fantástico. 

Perdi-me ao aceitar os dias virem e partirem com a mesma leveza e despreocupação de alguém que nada sente ou percebe.

O desinteresse e letargia que me vestem o corpo agora não me cabem, eu pertenço à poesia, eu engulo meus sorrisos e demônios.

É preciso mudar, é hora de novamente
mais uma vez

reinventar-me.