quarta-feira, 13 de junho de 2018

É frequente que eu me distancie da escrita e ainda mais frequente que eu me distancie desse blog.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Penso no quão egocêntrico tem sido minhas linhas. Quão covarde, prepotente e solitário é escrever. Quanto de mim eu descobri alimentando essas páginas. Quanto de mim registrei e perpetuo histórias do meu eu passado, estático e delicado. Recitado para estranhos, entre vírgulas e datas. 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Eu não compreendo a carnificina da existência. Os dias parecem me comer vivo. Minhas palavras me engolem numa contradição antropofágica. Eu, que as dou vida, morro no momento que o faço. 

Reconheço minhas mortes como penitência e num último instante de lamentação engulo seco meus pedidos de suplício. Não quero morrer em vão. Quero que lembrem meu nome, quero que reconheçam meu sangue. De santo nada possuo, mas não posso morrer como poeta vazio. Quero que vivam pelas mesmas palavras que me matam, quero que sintam o cheiro do meu sangue derramado nas páginas que seguem minha autobiografia barata. 

Eu não aprendi nada vivendo, porque vivi só. É impossível evoluir vivendo em solidão. Eu me escondi de todas as pessoas que tentaram se aproximar e meu único meio de comunicação com o mundo externo é e tem sido minha escrita. É aqui que eu grito e velo meu desespero. Sim, estou desesperado. Extremamente desesperado. Anunciaram minha morte e não há nada que eu possa fazer para impedi-la. Irei partir assim, desesperado. Lamentando minha própria miséria, meu fracasso. Lamentando não ter deixado um último beijo aos que eu tenho amado. Lamentando por ter nascido com minha morte prematura anunciada, lamentando por ter desacreditado no destino e estar aqui, por fim, cumprindo o meu.