quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O poeta II

    Com destreza tu me faz soluçar sorrindo
sei lá o gesto que improvisas com as mãos
mas é que esses olhos profundos me fecundam a carne
 eu me torno uma menina desabitada novamente
implorando pelos teus braços e versos longos
diálogos sagazes e beijos gatunos
é certo que me perdi no teu prelúdio
será que queres ser o herói dos meus avessos?
tenho poesias breves e repletas do amor que não conheci
eu sei que tu sabe dos meus segredos
e que me apeteço da solitude de teus mares
tua fala mansa que me pega e dança
descendo a garganta como aguardente
aguardando temperos novos de nossos sublimes dias
porque tudo é novo e tudo é solvo em nossas mãos incoerentes
do que era infeliz e se tornou atado
do que é atado e se tornará incerto
passo longo e apressado
nesse redemoinho que me reja
e eu duvidosa aventurada nessa calmaria das tuas trevas
mas sei lá que gesto que improvisas com as mãos
que mesmo sabendo que me resta uma tormenta de mais sete anos
me faz confiar e cair de cabeça
Nesse teu oceano infinito de amores insanos


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