sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Poeta III

Ah, poeta...
Você precisa parar
Parar de tentar entender
Tentar entender minhas confusões

Pois só na boca escondo a clave
Chave dos confinados segredos
Ambíguos e metafóricos
Igual ao resto de mim

Divergiste quando eu disse
Que não tenho além
Desse fado raso e vasto
Do amor aquém

De ti guardo medo
Asco das tuas meticulosidades
Que me analisam com olhos lentos
Como se decifrassem todos meus silêncios

Me diz, poeta
Que odes vês nas minhas linhas
Que azul vês em meus céus
Onde as estrelas nautas esvaeceram

Desapareceram terrificadas
Gritando com voz e brasa
Do mal que aproximava
És tu, poeta, o mal?

Confusão que encobre o receio
De não bastar de ilusão
O cultivado apego
Ao poeta náutico audacioso

Dono de infinitos pélagos
E calmaria das canções sereias
Que com mãos serenas
Teu corpo ferozes devoraram

Meu zelo e cândido apelo
Do teu brando pequeno achego
Enciumada dessas tais ninfas
Gargalhando no teu passado

Faço dos olhos céu o mar
Livre para com teu barco navegar
Flutuante temeroso
Das minhas confusões afrontar

Ah, poeta...
Você vai se perder se continuar
Se continuar a tentar
Meus labirintos desvendar



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