sábado, 25 de outubro de 2014

lisergia

Não sei se um dia eu soube 
Somente sei que hoje sei menos 
Do que um dia eu soube 
Sobre quem sou 

Se em algum momento 
Na penumbra de minha vida 
Eu mantive alguma certeza, não sei
Somente sei que hoje absolutamente 
Nada de mim e dela eu sei 

Suponho meu passado 
O vejo abstratamente 
Como se não o tivesse vivido
Temo meu futuro 
Ando em passos incertos 
Pois até em meu andar 
Não há a confiança que me falta 

Não sei quem fui e 
Quem sou 
Inutilmente assombram-se

As sombras de meu amanhã

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Metáfora de sexta

Jamais proferimos palavra alguma sobre o futuro, o presente era nosso alimento e tortura. Éramos aberrações da natureza, ao passo que nos atraíamos, violentamente nos repelíamos e nossos corpos vagavam conturbados nesta dança sobrecarregada de movimentos confusos. Éramos seduzidos pela boca e por ela mesma regurgitados. Gritamos nossas vontades, certos de em algum ponto impreciso, arrebentaríamos nossas cordas vocais e não nos sobrariam vozes que refletissem o adeus já prometido. Erramos ao falar em tempos verbais, eu igualmente erro ao recitar sobre nós, se ainda estás ao meu lado.