segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pablo



Não cabe a deus me devolver a calma que me roubas
E sim a mim não permitir o teu sequestro
Ah, se fosses como em meus sonhos
E repousasse em ti a deleitosa fidelidade
Eu seria tua dos pés à boca.

Agora dormes, não te chamo por nome ou vocativo
Descanso meu rosto onde me pediste, bem perto
do teu peito onde palpitam segredos e histórias
Somos feitos de odes fantasiosas, e eu me declaro!
me declaro enquanto dormes, e embora eu seja
a espera do teu acordar contente dizendo
que agora jazes em meu corpo, desperto
você estragaria todo o meu romance.

Queria-te sempre assim silencioso,
mas ao acordar nos damos aos prantos
por vivermos um amor impossível,
pois sou tua e jamais me entregarei.
Agora dormes e respiras fundo e bem junto
aos meus beiços dormentes de vontade dos teus.
Dormes e eu me declaro, não sabes, jamais saberás
Olho para baixo, meus pés já inquietos
Eu sou o quarto que nos mantém unidos
Eu sou o ar que inspiras inalando o aroma da infidelidade de nossa cama,
e eu sinto e leio as declarações
dela – a qual não temo.
Não me pertences, o tempo se esgota

Dormes
 [ decido ir embora ]
mas antes de ir, dou-te um beijo na ponta do nariz
e de reflexo ainda dormindo, me puxa de volta à ti
aos nossos lençóis, ainda dormes!

Dormes e eu me declaro, beijo-te o queixo,
a nuca, o pescoço, murmúrios
beijo-te a clavícula, o peito, o umbigo
desço aos teus locais proibidos, beijo-te...                                   
Murmúrios.
Abro os olhos, sonhos lúcidos.

Não! Deito novamente em teu peito,
repouso languida e o olhar fresco,
tantas vezes desacreditei que aí dentro
habita um coração. Domes, és tão bonito...
Dormes, por que não és suficientemente meu
para que eu possa abrir teus lábios
com meus lábios? E deixar-me abrir as pernas
com teus já lábios abertos?
Repousas, viras, reviras a cama
procuras no sol a nova chama
Vivemos um amor proibido!
e essa história antiga se repete contigo, tu me contas...
foras dela, daquela e de mais outra
Dormes e eu te declaro cantos tão bonitos!
Paro, respiro, te olho novamente enquanto dormes

E defino, já é minha hora
 antes de ir embora
 deixo-te um último bilhete
 no vão da porta:

Dormias, eu não sabia se devia
Mas o sol me disse nessa alta manhã
Jamais seremos o amor.

Nordestino


De ti engendro o retrato do mais
Brilhante semblante gritante
Ante teu bolero carnavalesco
Todo bailado entre flores e frutos
Maduros das poucas memórias
De tuas humildes dezessete primaveras

Me há poucas palavras que
Descrevam o teu arquiteto resistente
Que te eleva e te preenche.
Como és capaz de tal leveza
Que não sei se invejo ou
Procuro como peito paterno?

Refúgio.

Contamos alucinados, apaixonados,
As conversas que fluem....
Pudera eu ter,
Ou pudera mais ainda eu ser
Todo o vocábulo necessário
Para explicar esses teus mares arretados,
Esses teus olhares exaltados...