terça-feira, 7 de maio de 2013

Mas todo amor

Eu vou te dizer isso apenas uma vez hoje, e não satisfeita, repetirei todos os dias enquanto estivermos juntos. Às vezes repetirei apenas com os olhos, com os beijos e também deixarei claro em todos os presentes aquilo que te direi apenas uma vez hoje. E saiba: repetirei pois não me canso de dizer, não me canso de você, tão pouco me canso de gritar ao mundo ou sussurrar em teu ouvido o que te direi apenas uma vez hoje, pois toda vez que deito no parapeito do teu corpo, olhando para a janela dos meus sonhos, noto que agora eles - meus sonhos - são realidade e reafirmo mais uma vez o que te direi, percebo o quão puro, profundo e assustadoramente novo é o que sinto, o que reside em mim como você, intacto em meu coração. Aqui vives em paz, mas posso estar enganada. Porém, do que não estou enganada é de que contigo vivo em tranquilidade, como quando finalmente você pega no sono e descansa, me sinto assim constantemente contigo: segura. Você é a minha calma, o que eu encontro todos os dias ao dormir e rememoro ao acordar. E é por isso que te direi hoje apenas uma e logo, inúmeras: Eu te amo.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Vago


Hoje acordei com a estranha vontade de degredar meus silêncios, atirá-los contra o recanto extenso que me cerca. Estive fechada, fria e por ora terrivelmente abalada. Seguiram-se lágrimas secas e um grito continuo que me feria os ouvidos. Não soube retroceder, pela primeira vez intercalada num finalmente e estreito impasse do que quero e o que tenho. Essa minha sede quente entornada na minha atual realidade: absurdamente satisfeita, indiscutivelmente vil. Gostaria, senhor, meu bem, ó... ser infinita. Disso não sou capaz, apenas elevo o que tenho, o que me pertence. Apenas transformo o torto no agradável, o azul num gosto fecundo e minhas tardes em memórias. Só isso posso fazer, pois aqui dentro definha uma alma ilógica e vaga. E eis meu pior castigo: essa solidão sem cura! Esse ódio pessoal, essa estranha que vejo ao olhar no espelho. Eu não me conheço. E rogo, peço, imploro por isso... por uma dose violenta de mim. Um reconhecimento visível somente aos meus olhos internos... Pois tudo que sei é o que amo e o que anseio. Os versos que me constroem estão aqui, os sinto... mas obstruídos por um desânimo, uma falta de acalento. Enganada pelo próprio desequilíbrio e esquecimento de mim... Ah, tão confusa. Talvez calada eu estivesse certa, mas a necessidade de vomitar tudo aquilo que me rasga é gritante! preciso mais de mim. E o temor me atrasa os dias, mas sei que a qualquer hora virá uma maré forte que me impulsionará e espero que minha descoberta seja extraordinária e grande. Afinal, de alma pequena eu não quero viver.