quinta-feira, 16 de julho de 2015

Retórica


Eu sou fraca, mas o mundo não me abala. Sou fraca, mas não fraquejo. Sou fraca? Sou verdadeiramente fraca ou sou apenas um animal acovardado que não reconhece as próprias competências diante da face do medo? Se não me permito recuar diante do que me fere, portanto devo apoderar-me das forças que me mantém em pé. De todos os males, terríveis males, que me trouxeram à ocasião a qual me encontro hoje, eu não reconheço nenhum que imaginaria previamente ser capaz de suportar.  Sempre estive com medo, certa de que o próxima decepção eu não iria sobreviver intacta. Sobrevivi intacta? Estou intacta hoje? Não estou cada vez mais fraca? Faço-me perguntas que não julgo ter conhecimento suficiente para responder. Conheço-me? Conheço minhas próprias fraquezas e forças? Eu não sei até que ponto meu corpo é elástico. Não sei o ponto em que arrebentaria, eu não me arrisco a descobrir. Eu quero apenas a paz que me roubam.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Exposição

Quem irá perceber
as fragilidades do teu ser
sem que a descoberta te ameace?
Quem irá tentar aliviar
as brutais superfícies que te cobrem
e preservar os teus segredos?
Quem procurará tocar
as tuas cicatrizes invisíveis
e coexistir com tuas tragédias?
Quem irá compreender
que tuas ruínas
são efêmeras
mas tua angústia
talvez perpétua?
Quem suportará a consciência
de sermos sujeitos ao caos
sem desestabilizar suas certezas?

Quem, além de mim,
permanecerá contigo
com tal devoção?
Quem, além de mim,
te ofertará o sossego?
e te beijará em silêncio
nas horas vagas
em que não se sentes vivo.

Quem, além de mim,
aos teus céus e infernos

será fiel?