sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Mini conto #1

Sim, Manoel tem lá suas particularidades. Raquítico e anêmico daquele jeito, só poderia ser mesmo meio vulnerável. Mas o que poucos sabiam - e o que Manoel também não fazia muita questão de enfatizar - era o gosto curioso que tinha. Gostava de mulheres fartas, mas não apenas gorduchinhas, ele gostava era de dobras adiposas e voluptuosas. Seios abastados e mamilos robustos, grandes. Gostava de tons rosados entre as pernas pesadas. Detestava as magricelas fanfarras e vivia sua vidinha como se elas não existissem. Certo dia estava nosso amigo sentado atrás do computador, datilografando papeladas como sempre fazia no trabalho infernal daquela firma, quando entra a nova secretária. Olívia. Os olhos de Manoel faiscaram acompanhando as suas curvas apertadas dentro daquele mimoso vestido floral que vestia. Duas semanas trabalhando lá e ele precisava chama-la para sair. O que não se nota é que mulheres volumosas são complexadas e, se o pedido não for feito com cautela, elas podem se sentirem ofendidas e seus planos de tentar convencê-las de que realmente está interessado nelas vai por água abaixo. Nada que fosse um problema para Manoel, o xaveco estava no papo. Saíram, jantaram e se deram muito bem todas as vezes. E foi assim, um início de namoro calmo que  transformou a voracidade das mãozinhas de Manoel ainda maior. Foram para seu apartamento, ela tinha muitos gatos, era solitária, extremamente nerd. Porém bela. Ah, aquele sorriso de Olívia... Manoel adorava. Ela aromava baunilha. Queria o aroma por todo seu corpo, ali mesmo na cama dela. Aqueles lençóis também floridos. Beijos, toques, apertos. Dobras. Excitação. Muita excitação, já não dava mais para guarda-la no agora acanho jeans. Depois de uma longa noite de amor, Olivia descansou exausta no peito de Manoel. Com o sorriso que ele venerava estampando a satisfação da sua carne. Quando acordou, teve um espanto, encontrou Manoel embaixo de si, de olhos abertos e com igual sorriso, morto. Morrera asfixiado com o peso, coitado. Mas morreu feliz, com a cara achoutada entre as coisas de que mais gostava: Mulheres rechonchas!

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