segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Um dia entenderei

Um dia entenderei,
 porque meus medos se concretizam,
 porque meus pedidos não se realizam,
 porque meus silêncios não são compreendidos,
 porque olho para o céu e vejo o passado do mundo,
mas nunca o meu.

Um dia entenderei porque não vivo sempre mais,
ao invés de estar morrendo devagarinho.

Entenderei porque chorar me custa tanto
quando sinto dores tão violentas.
Porque escrever carrega as dores mais profundas
e as palavras me fogem quando as necessito mais.

Entenderei esse olhar tão vago,
quando tudo que eu grito
está em sintonia do que vejo
Entenderei essa minha fúria
que mesmo enorme, me cala
e me afunda.

Um dia entenderei porque me sinto menos
quando imploro de joelhos para ser mais.
Um dia entenderei porque repito
as mesmas palavras em ordens
e catástrofes fractais.

Um dia entenderei a vida, que mesmo tão bonita
me entristece. Entenderei esse amargo azul
que faminto, cruel e sempre presente
me puxa para dentro de mim
e me emudece.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O que fazer agora que meu silêncio se tornou meu grito?

Quero colocar-me entre tu e o infinito
tu e a minha sede de debruçarmo-nos
em deleite ao lermos meus poemas
que contam histórias inexistentes
Me deixa provar tua boca,
para não estar sempre no desejo
de concretizá-la além imaginação.
Contigo  desonrei meu verdadeiro ímpeto
mas hei de aproveitar essa fuga!
E este é apenas mais um surto sóbrio
onde fico a obervar tentada,
aprisionada na vontade
ao confrontar teus olhos
que me contemplam de forma rasgante
E eu te toco... quase te beijo
quase
talvez
mas não.

O Interlúdio

Olhou para o relógio,
são quatrocentas possibilidades
e reduzindo à realidade,
sobraram-se cinco.
Capacidade totalmente metafórica
de fugir de si.
Por isso escreve em versos,
o que deveria ser dito em prosa!
Pega o casaco, desde já
anda a sós com a amarga
transição de pensamentos
masoquistas.
Conquista a rua, vazia
e olha, até chove
então sofre! mas não há lágrimas.
E em algum universo distante dali
se encontra "um maço de cigarros, por favor".

Passou, repassou, perpassou-se
Implorou lá dentro, até chove
Então sofre.

Fogem, fogem as lágrimas
Letras, rimas, versos e prosas
Sofre! Não há lágrimas
Nunca há lágrimas
Há de cantar por fúria
Desta maré rasa
Que arrasa
Em subterfúgios fáceis
De palavras

E vê, é o quarto cigarro
E o céu ainda a pede:
Vai, menina! Sofre! Mas há tanto tempo
Se conhece – como ninguém conhecerá
E sabe – não haverão lágrimas
Nem dor, nem rancor
Só esse seu irremediável pudor
De deliberar o caos
Dessa sina
Liberdade.