quinta-feira, 26 de abril de 2012

Por mais alguns segundos


Me ensina a amar devagarinho
Que sou desesperada por você

Me condenei diante minha pior rivalidade íntima;
A perseguição! Amar platonicamente o irreal
Destinada à loucura desde que a realidade tão banal
Faz me querer bem longe desses teus olhos ladinos
Que se enfrentados, laceram, se negados, rogam maldições
Então vivo na fantasia de já sermos um só e nos namorarmos
Todas as manhãs, tardes e noites na rua torta aqui de casa

E a dúvida que é pior que uma triste certeza
Me assombra e me abandona à delírios
Pensando, sonhando, vem, vem, vem
Aparece de repente perguntando meu nome
E se convide a participar de minha vida!

Se sou louca por me apaixonar pelo o desconhecido
Não são ainda mais loucos os que amam o ordinário?

terça-feira, 24 de abril de 2012

Cinco segundos


Gostaria de te escrever cartas bonitas
Possuir as mais belas palavras para narrar
o impecável timbre de tua voz que abala meu peito
a exatidão de teu olhar que me vibra e apavora
queria estar à altura de tua perfeição palpável

Mas não só do palpável queria me pronunciar
pudera eu ter tuas palavras no ouvido me enchendo de vontades!
Desejo te ter, céus! Como desejo
Se terei? Resta-me a sádica duvida...
de um improvável olá e ainda mais improvável beijo
que tanto sonho, tanto anseio!

Desperto já pensando, meu deus! Aquela boca!
Durmo já sonhando, meu deus! Aqueles braços!

Me ganhaste e me tens mesmo sem saber...
pois faço silêncio em todos meus trejeitos
Desastrada, tombei em teus olhos
que mal me notam! E já que não os tenho
os tenho ao fechar os meus, ansiosos
ao arquitetar da mais bela criatura que seria teu ser
Onde nosso filme caseiro
captura fotografias que escondo no íntimo da mente
desde mimos a obscenos toques
arranhões e sonoros puxões de cabelo
no emaranhado de teus lençóis
serão cor púrpura?

E teus olhos que nunca encarei por muito tempo? Verdes? Castanhos?
E a nossa música? Não irás jogar meu jogo?
Se jogar, joga o teu corpo no meu
Vamos de carnes e amores brincar de viver
já estou cansada de todo o entardecer
que permaneces perpetuando os últimos alcances em pensamento
onde me invades com tanta avidez me contando
as epopeias incríveis que jamais viveremos se não juntos!

Eu gostaria mesmo de te escrever cartas bonitas
proseando todo nosso romance inexistente!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Da Capela


Fostes mais breve que meu adeus
Eu sabia que minhas pernas não serias tuas
Que teus lábios não seriam meus
Mas eu pude por uma noite
Em nossa orgia de olhares
Recolher do teu bem mais precioso

Contavas-me com fulgor!
Da Inglaterra à Moscou
E eu fiquei a desejar não somente tuas mãos
Mas teus olhos da memória
Que de tudo já viu,
E que de todo sabor tua boca já sentiu
-     - exceto a minha.

Arriscaria-me; amei-te por uma noite
Nós, nus sob as estrelas
Em metamorfoses enigmáticas de pensamentos
De teu momento íntimo ao cigarro os fitares
Em meus olhos distraídos que se perdiam
A cada vez que me sorrias e me trazias
Um pouco mais de tua vida.



quinta-feira, 5 de abril de 2012

Bom amante


Desconfio do amor de um bom amante
Procuro distância de olhares que tudo
Já conhecem e que já decifraram a síntese
Do corpo feminino.

Maldito sejam os homens de mãos viscosas,
Ligeiras e cheias de lágrimas e leites
Dos olhos e seios daquelas que tiveram
Seu sexo roubado.

Eu confiaria naquele que não reconhece
Qualquer coxa como sua terra amiga,
Mas amar, como eu amaria se não aqueles
Que me desbocam ou calas as frestas vocais
Dos uivos mais doces na moldura da cama
Onde sou a inspiração do momento?
Porém, confiar, jamais.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Verônica

As águas do Verão
verão Verônica partir
E as restantes estações
a falta de Verônica irão sentir!

Verônica imaculada, distâncias
de campos verdejantes, etérea beleza
da quente manhã que é sempre pura
És incomparável! És a natureza!

Ah, Verônica, o outono chora suas folhas
o inverno alaga areias, congela mares
e a pobre primavera se envergonha de suas flores
sem teus olhos, Verônica! 
para as mais vívidas cores lhes dar.

Tua presença, Verônica, é o próprio sol oracular
que tudo ilumina, santifica e aquece
És a esperança de um seio maduro
que rega os amantes com seu liquido
A suma flecha do cupido!
Verônica, és o amor realizado! Crueldade
És a bondade, o supremo do desejado.

Mas partes junto ao Verão, Verônica
entristece todos os beijos e abraços
deixa-os em retrato, condena-os a te ansiar,
Verônica, partes! deixa-os no aguarde
do próximo ano, tua volta divina, Verônica!

Matar-me-ei


Resgata meu inútil desejo
De amar-te mais um pouquinho
Mata-me de anseio pois
Amar-te-ia todos os dias!

Força do amor insuperável
Estranho silêncio imensurável
Ânsia de meu abismo passado
Do homem impossível, mas amado!

Matar-me-ia se acordasse
E não pudesse amar-te insaciável
Todos os meus dias, irrecuperável
Resgata, suplico, meu último desejo!