segunda-feira, 24 de junho de 2013

Hall

Eu nunca sei se começo a abotoar meus casacos de baixo ou de cima e deve ser por isso que minha vida é tão complicada. Não tenho certeza por onde começar e terminar e entre esses dois pontos equidistantes reside o caos que eu tento organizar - acredito que haja uma disciplina (quase inalcançável) no estrago, porém não há sina tão gentil para uma alma que nunca sabe onde está ou para onde vai. Navego às escuras, num mar interno que temo, pois assim como os obscuros oceanos da Terra, eu não me conheço por completo. Sou um poema sem forma e me habito integralmente, de dentro para fora. Uma viajante que observa, observa sua desordem e anseia o sublime de seus próprios segredos. Sou mesmo confusa, mas o que faz valer meus dias é minha sede constante e insensata do mundo e do amor. Meu amor, minha única certeza pessoal. Não fraquejo a fala e o passo quando necessito defender meu amor, este eu sempre prometo ser o mais puro, intenso, profundo e sensível. Adjetivos dispensáveis, pois até minhas palavras se tornam fracas diante de tal sentimento.
E assim como os botões de meus casacos, nunca sei por onde terminar meus pensamentos. Por favor, organiza-me, mente.

domingo, 2 de junho de 2013

1970

É verdade, mais comum do que você é ela. Pelos mais concretos e imparciais motivos, levada a crer nessa mente ordinária que a habita. Mais comum do que você é ela que observa em silêncio, que tenta e repete sempre e ininterruptamente demonstrar segredos que ninguém deseja perceber. Ainda mais comum do que isso é esse sentimento de diferença quando na verdade possui as marcas de uma identidade indiferente.  E o que a afoga é observar de fora o que arquiteta, como e quando começaram a se distribuir tantas certezas sobre ela? Certezas sobre ela que nada é. E tão instável, regurgita: sou a que mais e menos sabe sobre tudo aqui. Permita-se entrar, mas jamais entender ou explicar.