domingo, 2 de outubro de 2011

Escória da noite

A noite estreia com duas doses de vodca e gelo
seguidas por mais cinco ou seis...
e alguns cigarros ensopados
Naquele incidente ninguém queria saber de escrever,
nem amar, nem compor
Só de beber e ver o mundo girar
e girar e girar e girando
Eu vou indo
você vem vindo
e a gente vai se encontrando
Pés pesados engatinham as escadas espirais
o quarto escuro obsoleto guardando orgias antediluvianas
e gemidos lareados
Lesados acamados na grama feito carpete
empapados de cerveja após cortejarem a Maria Joana
rindo à toa lembrando de broas memórias esquecidas

Ah, aquele imêmore incidente
calando bocas que por ora cantam roncos baixos nas redes
com o aroma de maresia vindo com a decepção da manhã
Olhos ruivos
sorrisos oblíquos
pernas ziguezagueando indo de fino embora
Noite vai,
dia vem.
dia vai,
noite vem,
mas a bebida nunca acaba.
O karaokê improvisado cantado em garrafas vazias
pezinhos valsando em cima de balcões frágeis
Tique taque de luzes cegando os esmurgadores
flamejas de beijos esgotados molhados de cloro e folhas abrejadas
Risadas gritantes rasgando a música alta
no bolero das almas e no blues vertiginando olhos escaldantes de sonolência

Todos convertidos em zumbis
Sem falas e conversas,
sobraram apenas as percepções.

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