quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Mendes mente

articulava com o corpo "me invade logo brusco moço!
és meu amado podes e deves cumprir, namorado!"
e teus olhos respondiam claramente a meus alardes
"só quero a chuva e a melodia da música amadora"
depois me acusam pelo sexo não satisfeito
mas sim com ela no balcão da cozinha
e com ele abafado expirando medo
seus dois melhores amigos
virei uma malandra cruel sendo ainda doce e pura
mas a verdade é que a culpa é tua pela ingenuidade
e a tua não virgindade
como se teu sexo só às putas coubessem
trapaceei o amor diversas vezes poupando o tempo
perdido oferecendo a pessoas que o sonegaram
eu cansara de burlar aulas pra garoar pela rua
de me esconder debaixo de orelhões envelhecidos
pra ficar quatro horas só beijando
não que só o ardor faltasse faltava também o vigor
a graça alegada almejada invejada
permanecemos dois moleques magoados
até aquele dia na alvorada onde tu me aquentou
oferecendo teu casaco e teu braço e teu dinheiro
me comprando com a boca como é sempre bem dito e feito
por mais um ou dois anos quando viestes até mim
pedindo meu corpo - que não era mais teu
agora não dado, traíste a tua menina coitada
comigo, o teu passado
e dizem que a culpa é mesmo minha e não nego, manifesto
essa carga chata nas costas espetando
dizendo que não presto!


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