segunda-feira, 22 de junho de 2015

Semblante

Foste o grande sinal do universo
de que viver é a melhor forma de existir
e as constelações que estão a milhares
de anos luz de nós, também se escondem
atrás dos teus olhos que olham meus olhos
que jamais viram imagem tão bonita, senão
teu rosto. Foste o pedido do universo para que
minha arte não morra e discorra nos teus ouvidos
orquestrada pela tua música.
Foste sinal do universo de que a cadência nos habita
mas o acaso de nosso encontro nos perpetua.
És a lembrança de que o universo existe
e que agora em mim reside a orbe
de uma menina apaixonada.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Febril

agora eu sei como você espirra
mas não consigo perceber se você rói as unhas
ou se elas são apenas curtas
você prevê minhas atitudes
e ainda assim eu não me sinto previsível
eu não me sinto confortável com ninguém
de ti não sei quase nada, qual seu nome completo
ou sua comida preferida
mas te olho nos olhos
como quem confronta ideologias
e o caos das conexões humanas

eu te vi sorrir no escuro e embriagado
eu te vi sorrir de olhos fechados
és lindo até de luzes apagadas
quis gravar a sua voz e levar para casa
quis fotografar teu rosto com meus olhos
mas me contentei com a impossibilidade
e com a utopia de poder te ver a cada esquina

você conheceu minhas paredes
e ouviu minha voz desafinar
que bom que aquela noite aconteceu
eu fiquei impressionada com seu tamanho
e talvez você com a minha calma
eu te narrei naquela sexta
quis te conhecer
você superou expectativas que eu não tinha
e em alguns dias
já me ensinou sobre existir
me fez perceber coisas de formas 
tamanhos e com sons que não ouvia

eu enalteço teu caráter
e observo a tua imagem

que reflete em minha íris 

sábado, 13 de junho de 2015

O grande limiar de minha descrença
Estão alicerçados ao que me acorrenta
É aquilo que em mim reside
E a minha fala cala.
Junto ao meu medo de existir
e minha incapacidade de me entregar
Cresce meu desespero ao por ti me apaixonar

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Alma

Em sonho observo os dias
iluminados pelo amor não mais vivido
Em rezas trago sagradas preces
de um passado irresgatável
De cama, me possuo transbordada em cólera.

Só.
no vazio de meus lençóis
sem nossos corpos quentes uivando
o canto daquela história tão bonita.

Calada, desabitados estão meus olhos
Após esgotar tudo de amável que me pertencia
Pois tu – encarregado de meus sorrisos
Foi embora, acinzentando meus dias

Ah, pobre poesia
Afetada pela minha ferida
Descobrindo que jamais serei a mesma menina
Porque sofro de amor
Sofro sozinha. 

NÃO SEI

Não sei com que mãos tocarei
tuas mãos e com que língua
articularei as palavras
que te calarão e se estas
serão palavras suficientes
pra sentir tua língua
Não sei de que forma
aquietarei meu pulso
instável após minhas mãos
que não sei quais são
tocarem as tuas
e minhas palavras
pronunciadas pela minha língua
estarem caladas pela tua boca disforme
Não sei com que remédio
curarei meu corpo trêmulo
sensível pela tua presença
desabituado com teu toque
não fluente na tua língua
Não sei com que olhos
fitarei teus olhos
e se a linguagem de teus gestos
condenará tua vontade de mim
Muito menos sei
com que tom disfarçarei
meu sarcasmo ao dizer que
utopicamente sentirás
vontade de mim

Colisão

Eu me ofusco sem perceber, ou sem perceber que me ofusco com intenção.  Me afasto, me estigmatizo, me teorizo... Não quero causar alguma impressão, não quero ser percebida. É estranho estar do lado de fora, onde somente posso observar. É estranho ouvir conversas desemparelhadas pelos corredores e esquinas, conversas que não notam meus ouvidos, ouvir sobre o espanto de se estar vivo, sobre a dureza do amor, vingança, noites de delírio e soberba. Eu não me importo, mas incoerentemente choro escondido. No fundo, sou rasa. Por isso me atenho até onde meus calcanhares alcançam. Pergunto-me: e se eu me entregar? Seria eu tão boba e desprevenida quão esses rostos? Estaria eu salva da crucificação de minha mente masoquista? 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Eu previa, eu previa tudo em minha vida e isso a obstinava. Eu previa porque era o óbvio e eu sempre soube dizer o óbvio. Eu previa o dia em que arrancarias de mim minha incontestável natureza e me olharias nos olhos com teu sarcasmo perverso, acreditando que havias roubado o melhor de mim. Eu previa o dia em que minha própria fé me trairia tornando-me um mar de ceticismo.