terça-feira, 15 de novembro de 2011

Lascivo




Iluminação fosca e
Suas penas cruas
Suas pernas nuas
Seu sono leve e ofegante
Cansado, pernas cambaleantes

Se algum dia ela acordar
E ler esses trechos,
Se algum dia ela ao despertar
Ver os laços em seus cabelos

Saberá que jamais quis rimar
Saberá que tudo que desejei
Tive noite passada
Aquelas pernas maquiadas
Em mim entrelaçadas

Sujando o lençol
mordiscando o canto do travesseiro
Num gemido traiçoeiro
Sua pele dourada de sol

Desde no líquido escorrido
Em nossa prosa concebido
Até na ausência de palavras
Somente aquele olhar
Em mim fixado
Aquele olhar
Aqueles olhos...
Seus olhos...

Seus olhos que penetraram
Que me perturbaram
Absorvo de versos
Absorvos de tudo
Naqueles olhos criei meu mundo
E todas as vezes que a invadi fundo
Seus olhos
Seus olhos reviraram
Meu mundo ruía
Se contorcia
Se tonificava
Arranhando-me os braços
Implorando-me mais

E eu, seu servo
Obedecia
A invadia
Mais
E mais

Seu corpo solvo estremeceu
Se retorceu, arcando as costas
E o olhar de júbilo, fitando-me
Com as pernas viscosas
Amoleceu e logo
adormeceu

E eu, na cama escravizado
à insônia fui condenado
E fiquei aqui com papel vazio
Pensando em seus olhos de anil

Aqueles olhos
Aqueles olhos de vigor
Aqueles olhos, senhor...

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