sábado, 24 de setembro de 2011

Ele sobre ela

Em toda a minha incomplexidade, cá estava eu analisando aqueles olhos azulados e fingidos. Fitava-os de tal forma que a incomodava, ela sentia como se estivessem espetando pequenas agulhas em sua pupila, desviava com fervor, como se escapando dos meus olhos estaria finalmente livre. Ela não é a garota vestida de vermelho e tem os cabelos bagunçados, como se tivesse voltado da praia e deixado assim mesmo, com um pouco de maresia entre os fios. As pessoas dizem pra ela “Como você é bonita!” até mesmo eu disse isso à ela uma vez, mas ela não acredita. Como é teimosa. Se resguarda muito, juro que um dia entenderei. Tenho um certo medo de adentrá-la e descobrir coisas que vou querer esquecer, sabendo que jamais conseguirei. Ela é muito sozinha, qualquer um percebe isso, mesmo que esteja rodeada de pessoas, um manto transparente a cobre e ele é percebível, mesmo que a maioria aja inconscientemente, a distância entre ela e os demais é incrivelmente visível. Não a amo, estou longe disso. Tão menos sou apaixonado por ela, isso nunca irá acontecer, o que é estranho. Eu a faço sofrer. Sofrer de uma forma desumana, pois está estampado em seus feitios que ela nunca derramou sequer uma lágrima por mim. Ela já não me deseja como antes, esse anseio diminui com o passar do tempo, a culpa é da minha indiferença. Ela não nasceu para pertencer à alguém, mas bate os pés no chão querendo ser minha, mesmo sabendo que eu nunca vou ser dela. E isso é tão pouco importante para ela... A maldita poderia ter quem quisesse, entretanto escolheu a única pessoa condenada a jamais estar contentada com uma só. E tem coragem de me dizer nas noites asteroidais que acredita em deus. Como é bobinha...
Ela ainda afasta o olhar e eu ainda a olho, ela está roendo as unhas preocupada com alguma coisa. Por que está tão deprimida? Inútil perguntar. Aposto que nem mesmo ela sabe. 


Nenhum comentário: