terça-feira, 20 de setembro de 2011

Marujos

Ah! Esses piratas que insistem em navegar nos meus olhos e saquear minha alma. Há três, o que me zomba, o que me deseja e o que me odeia. Não me amam, oh não.... Eu não me importaria se me amassem, até o suplico. Mas meu mar não é tão profundo e deixei de ser um enigma antes de ser. Os três mosqueteiros que me torturam sem permissão. Oh, não! Que fiz para receber esse mal? Meus três piratas (ou seria eu deles?) têm seus próprios tesouros, saquearam outros olhos, são cruéis. Gargalham dentro de mim, ecos da memória, ficam me martelando e se divertindo às minhas custas. Será que sabem? Será? Eles sempre me mimoseiam com histórias extraordinárias e beijos, carícias, provocações... Só podem mesmo pensar que é em vão. Achei que iriam parar, mas não param! Meus piratas, meus piratinhas, que querem comigo? Sou só uma garota, sou só uma mulher. Se querem me fazer sofrer, não o conseguirão. Se querem rasgar meu âmago, não o conseguirão. Nenhuma tarde de domingo irá me roubar de mim, sou minha! Entretanto, se um de vocês, piratas, encontrarem em mim sua ilha, eu aceito que fique. Mas um só, um só! Vão! Espadas à mão! Guerra! Guerra dentro de mim!

         Que chacota... Até parece que mereço tanto. Até parece que sou tanto para três piratas renomados brigarem pela posse. Tem ouro nenhum dentro de mim. É uma questão de tempo para meus olhos terem mapa e olhos alheios levarem meus piratas embora... E a paz voltará, como eu mesma – a não poeta de não duas décadas – sempre diz: E a paz volta à minha imensidão azul de amor!


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