terça-feira, 6 de setembro de 2011

Mil e sexo

22:29
Levantei do leito e não conseguia voltar, minha inquietude cedia espaço a pensamentos suicidas e decidi fumar um cigarro pra ocupar a insônia com fumaça. A janela suava e o vento lá fora fazia um zumbido preciso, me dispus no parapeito para sentir ele bater nas maçãs do rosto. "Queria tudo, menos estar sozinha hoje..." era a frase que se repetia incessante quando fechava os olhos. Eu estava quase implorando a Deus - coisa que julgo absurdo sem tamanho - para que a noite se desvanecesse rápido e deixasse um pouco de paz quando olhei para meus tênis jogados no canto do quarto sussurrando "saia de casa, idiota". Mesmo não tendo para onde ir, o fiz. Não precisava de mais nada além de uma garrafa Dos Equis e uma carteira de Marlboro para fazer o tempo passar. 

23:43
- Quem é?
- Sou eu. Onde tu tá? Tô te ligando loucamente.
- Eu não queria atender... Tô numa praça perto de casa, por quê?
- Vem aqui em casa, vamos sair.
- Acho que não...
- Vem, caralho!
- Ok. 10 minutos.
- Beijo.
- Tchau.

01:35
Porra. Dor nos pés e dor nas mãos. Aonde vim parar? Tô sozinha e rodeada de vulgaridade. Pessoas vazias e azedas. Mulheres baratas e homens deprimentes.  Fugir daqui e para bem longe.

03:47
De volta ao meu quarto, me satisfaço com a conclusões que tiro sempre que tento me misturar. Prefiro estar sozinha à estar com todo mundo. Prefiro uma noite de insônia à ouvir música alta e respirar o bafo alcoólico de conversar inúteis e corriqueiras. Eu não quero saber quem está saindo com quem, quem traiu quem ou qual é a porra da nova edição da Vogue. Foda-se se aquela menina fez escândalo na última festa ou se ela não tem nada na cabeça. Vão se foderem. Arg.

07:23
Dia lindo. Dia lindo. Queria tudo menos estar sozinha hoje...


(E o ciclo continua)


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