terça-feira, 13 de setembro de 2011

Rei

Ele tem cara de Artur. Artur é um nome forte e aqueles olhos fundos e tenebrosos não me enganam. De certo, quando eu descobrir seu verdadeiro nome, será algo completamente diferente e meio sórdido, deve ter pais hippies. 

Aposto que gagueja, não por fraqueza, a culpa é de alguma Margot ou Isabel, que durante sua infância não souberam ser boas professoras e lhe aprimorarem a dicção. Ele gosta de garotas com perfume de flor, afinal, no meu mundo ele gosta de tudo que eu tenho.

Só que no mundo real ele deve ter uma garota qual ama muito. De cabelo escuro e liso até metade das costas. Bem magra e com uma risada estridente, deve se chamar Luísa. Toda meiga e cheia de detalhes. Bem dentro do previsível... Tirando uma briga aqui e ali, devem ter um amor calmo que perdura alguns anos já.

Será que faz a barba de manhã ou à noite? Ele é loiro e tem fios finos, será que eu os sentiria se passasse as mãos em sua nuca? Sinto inveja de Luísa que pode fazer isso até pegar no sono. Sua cor preferida é amarelo, eu sei. Nenhum cara gosta de amarelo, mas Artur é diferente.

Não arrisco em dizer que é único porque dentro de mim há muitos outros reis. No meu reino mando eu, e  nele, certamente, Artur é todo meu. 

Artur não fuma nem toma café por gosto, mas bebe igual um condenado. Bebe tanto que deve ter um fígado fodido - todo mundo merece algo de podre por dentro. Acho que ele não gosta de ler, mas aí seriam duas coisas podres e isso não é muito justo.

Seja lá o nome de Artur ou qual número calça, eu penso um bocado nele. Com muita sorte, um dia, ele terminará com Luísa e me dará a oportunidade de descobrir o sabor de sua boca, mesmo eu tendo medo disso. Vai que tem gosto de canela? Eu odeio canela. No meu mundo não há espaço para reis com gosto de canela. Até gengibre pode ser, mas canela não... Por favor!

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