sábado, 17 de março de 2012

Ser só morte


O céu está rubro
Hoje nada é belo
O céu sangra e geme
O mar deságua
Hoje eu desboto
Eu amargo
Eu morro devagarinho
Tudo dói,
As árvores doem
As ruas doem
E os pedestres cabisbaixos
Não acenam porque doem
Carecida minha poesia miserável
pois até os passarinhos invencíveis
estão tristes
sou engolida pelas luzes e faróis
insensível porque dói
palavras doem
e percebo a maldição
pois
     vivo
           de
              palavras
                       que
                          eternamente
                                        doerão.
Eu quero ser só morte.

Um comentário:

Gabriel P. Knoll disse...

ser só morte é bom. Pelos menos é a única coisa certa na vida de todos. ;)

o problema mesmo é a dor. Isso sim é ruim...