sábado, 24 de março de 2012

A censura de teu nome em meu verso


A censura de teu nome em meus versos
À censura de todos os nomes
Que será de mim que sorrio
Quando meu íntimo retorna
Ao vale da tristeza?

Morro assim cedo por associar
Qualquer um que passa
Ao romance que jamais viverei
Pois o vivo todo dia em pensamento.

A minha boca desabitada esqueceu
O gosto, a umidez e a veludez da tua
De todas – o ópio de amor pessoal que se difunde
Em sofrimento – Sofro demasiadamente pelo vazio
Meus deus! Quis tanto!

Quis ser louca, filtrar todas as mentes
Saboreá-las, ser minha e de mais alguém
Ser a maior, a translúcida, a verdade
A suprema poesia da pátria do meu sentimento!

Sou ilha! Ilha! Me afastei de todos, isolei-me
E culpo, rogo aos céus que todos os raios
Partam os corpos amantes ao meio pelo
Meu fracasso absoluto!
Sou escrava da dor fantasma que criei!

E agora a alma cancerígena apodrece minha
Ousadia em caminhar. Estou parada,
Mas resisto às chuvas!
As ruas alagadas e meus pés banhados de sujeira urbana.

Será que flores ainda florejam em mim?
Os cigarros me corrompem, me escondem...
Desapareço dentre a fumaça, poesia debilitada
Pela minha estupidez vontade de me trancar
Em meu mundo onde o abandono não existe
E ainda estais comigo.

Sinto o irreal. Arquejo e suo a minha santidade corpórea
Imploro...
Morram junto ao meu corpo isolado no mar
Extenso e inacabado de fruições e volúpias alheias
Teu sexo é meu sexo.

O seio materno me chama de volta
E tudo que já me foi sentido será
Esquecido se eu vertiginosa resgatar meu
Antigo mirante que tudo apreciava e achava belo
Se eu transpassar meu corpo
Que não mais suporta o peso de sofrer
Em silêncio, serei seca. Flor desbotada.

Temo! Temo o que criei
Temo meus erros que arrancaram
De mim a paz.
A planície alva de meu antigo corpo afável
O riso ressoante quando meu corpo montanhoso
Era escalado em peito aberto
À poesia infinita de todos os corajosos que me amaram.

Eu era assim
Até a fuga cega massacrar-me
E deixar-me perdida nas
Trevas dentro de mim.

Um comentário:

Poeta morta, Monaliza disse...

Esse é o meu favorito. Gosto da leveza e ao mesmo tempo a melancolia. Remete-me um pouco a segunda geração romântica. Enfim, gostado.