sábado, 24 de março de 2012

Infeliz

Tu, menino amável, ainda não me é nada
O que farei se estou presa em outro amor?

Sim, ainda o amo, amo ardentemente
Além de minha pele imoral,
Desgastada de tristeza pela promessa injusta.

Mas teus olhos, ah... A juventude tímida, despreparada
Flor nova que desabrocha em águas rasas e novas
Sem penumbras na face daqueles que viram a morte.

Tu, ao meu lado, se fazes tão presente
Valente, desconheces os perigos de meu coração  
Ele, longe, por quem sofro e me faço
Minguado, pedaços e cacos
De noites mal dormidas, tormentas e sequencias infindas
De pesadelos e lembranças, todas infelizmente vividas.

Eu me desintegro vagarosa na cama úmida
Agora desarmada de amor
Minhas noites não são as mesmas
Sem a voz dele, não...

Doçuras que o tempo cruel amargurou. Belo amor que se foi!
Amor que agora é medo,
Medo de me aproximar e te machucar...
Pois tudo que eu queria era tê-lo de volta –
(porém o tempo mostra; não o terei)

Vou aos poucos, vou esquiva, languida
Temendo estas tuas portas escancaradas
És menino quando fui feita mulher prematura!
Teus olhos e palavras que gaguejam a melodia
(Que talvez até me ganhe um dia)
Anuncia a possibilidade de dois sermos somente um.

Eu, mesmo ferida, navego sensível no mar
Da tua bondade ingênua que tanto se arrisca
Em meu corpo, território que engana
Pois se tem quente, mas é frio.

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