sábado, 17 de dezembro de 2011

Só quem prova

Não queria despontar o céu,
Mas estou fugindo ao mar
Três nós bem laçados
Para no azul me deixar
Leve levar

E sentei na beira,
Regurgitei todas aquelas palavras
Aglomeradas que em extermínios
De dentro para fora,
Me envenenaram com a verdade

Bruta, insossa
Estava sei lá em que odes
Preparando a destruição
Eu só quis compreender
Porque é que as linhas
Teimavam e teimam
Em me enlouquecer

Saí, acendi, traguei
Invejei o pedreiro da obra
Descalço, sem blusa nesse sol
E por fora,
uma grossa camada de pele queimada
por quantas vezes quis me ver assim
queimada por fora
satisfeita por dentro
mas não,
fui parida ao avesso

Andei mais um pouco e senti frio
Frio de ar falsificado, burguês
Não queria aquilo, não queria
E sempre não querendo, vou indo embora
E só indo embora é que a gente percebe
Que não é de ninguém

Eu olhei para o céu
E vi um deus sem auto estima
Desmerecendo sentimentos
Como quem brinca de dados

Eu fui além,
Me trouxe o limite
Como de quem aguarda um enfermo
Partir logo e deixar a dor
Só para quem consegue aguentar

Ah, lábio ouriço
Lábios
Os mordo todos
Na vontade
Na perspicácia
Na lembrança
Entrego-me!


Aquilo era sangue
Era voo
Era meu orgulho de ave rapina
Meu orgulho
Em bater o pé
Em querer ser livre

Mas
mAS
MaS
Eu desapontei o céu
Atrofiei minhas asas
Não sou mais alada
Não deixei de ser
Quem fui,
Quem sou,
Quem eternamente serei
Mas abri espaço
Para o novo canto
De desespero
O canto do amor
E da incerteza

No aguardo do passo,
do entendimento
e do avanço do medo,
ladino

Somei-me
Reparti-me

No vão da calçada, alpinistas
No choro da estrada,
Os carros e motocas
Esperando a sua sina
Noite afora
E fechar os olhos,
Só para sentir na pele
Não há quem negue
Que não há nada igual
Sentir o cheiro do farol aceso
E o barulho das nuvens colidindo

O estrondo de flores desabrochando
O aroma dos sapatos ecoando alto
A beleza de quem sai cedo e volta tarde
Mas se encontra no meio do caminho

Eu consegui o limite
E ele me rabisca inteira
Me marca

E não me deixa nunca parar
Pois as linhas continuam a teimar
E não sei porque teimam
Se sempre conseguem.




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