quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ponto



Eu prefiro discordar
Do que sentir todos
Os perfumes das flores

Elas descolorem
Frente aos meus olhos
E murcham
Entre minhas pernas\\\\

Apetecendo embebidas
Com os olhos lamentados
Triste da beleza que guardam

Eu que sinto
Eu que não sei falar
Pertenço ao lugar
Quadrangular\\\\

Dentro de sete mil e uma salas
Labirintas
E avessas
Coloridas
Com águas frescas

Refresco-me navegando
Nos meus segredos
E romances trapaceiros
Insistindo em contar meus cuidados
Em entrelinhas
Que olhos bons não enxergarão

É a benevolência dos malditos
Não ter motivos reais para rir
Pois em cada segurança
Nasce um murro certeiro
No meio
Da face

E cai
A máscara
De elástico frouxo
Pois no fundo,
Somos todos assim,
Não?

Com os espinhos
Embaixo da carne
Pingando veneno
No canto do lábio
E olhos com fundos
Que não choram

Chorem, meu bem
Chorem, eu imploro
Eu necessito
Minhas lágrimas
Pois tudo aqui dentro
Anda gritando
Implorando
Por algum sinal
De real força

Eu sou fraca
Fraquinha
Despetalada
Eu sou azul
Eu sou
O caminho
Eterno
Ao vento
Sul

Eu sou o luto frio
Eu sou a falta de palavras
Eu sou
Eu deixo de ser
Pois tudo que eu quero
É ser

E ser minha,
Hoje já não basta
Pois eu prefiro discordar
Da voz profana
A realeza do meu ser
A voz que me governa
Que me manda
A voz que eu obedeço
A que me faz serva

Ser minha foi um dia
Minha dávida,
Meu segredo
Minha maior fortuna
E hoje é minha miséria\\\\\
Eu quero é ser tua.

Só que toda vez que tento
E tento
E cavo um buraco
(podre)
E vou cavando fundo
Com minhas unhas sevas
E vou indo
Quase me afogando
Você me expulsa
Com sua desconfiança declarada

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