terça-feira, 16 de junho de 2015

Febril

agora eu sei como você espirra
mas não consigo perceber se você rói as unhas
ou se elas são apenas curtas
você prevê minhas atitudes
e ainda assim eu não me sinto previsível
eu não me sinto confortável com ninguém
de ti não sei quase nada, qual seu nome completo
ou sua comida preferida
mas te olho nos olhos
como quem confronta ideologias
e o caos das conexões humanas

eu te vi sorrir no escuro e embriagado
eu te vi sorrir de olhos fechados
és lindo até de luzes apagadas
quis gravar a sua voz e levar para casa
quis fotografar teu rosto com meus olhos
mas me contentei com a impossibilidade
e com a utopia de poder te ver a cada esquina

você conheceu minhas paredes
e ouviu minha voz desafinar
que bom que aquela noite aconteceu
eu fiquei impressionada com seu tamanho
e talvez você com a minha calma
eu te narrei naquela sexta
quis te conhecer
você superou expectativas que eu não tinha
e em alguns dias
já me ensinou sobre existir
me fez perceber coisas de formas 
tamanhos e com sons que não ouvia

eu enalteço teu caráter
e observo a tua imagem

que reflete em minha íris 

2 comentários:

Gyzelle Góes disse...

Tão meu romance inexistente de agora. Tão utopia. Senti tanta falta de seus versos, Marcela.

Anônimo disse...

vamos brindar as nossas lagrimas
sorrir para o que passou
amanhã uma nova vida
um novo riso, um novo amor

somos as estrelas perdidas
procurando uma razão
alguem que valha a pena iluminar a escuridão

me busco nesses versos
poeira no universo
me perco no teu corpo,
sozinho, pouco a pouco