sexta-feira, 30 de maio de 2014

Danielle



Poucos irão prever o universo que divaga em teu olhar, poucos tetearão o que há além da tua densa pálida carne ou irão decifrar a eternidade contida em tua imagem.  Tua alma invisível, escondida dos que vivem na superfície da vida, vela tua biografia, teu labirinto íntimo confessional.  Sinto pesar pelos que cruzam por ti sem notar, os que abandonam a tua frágil presença febril.  Mas os poucos que provam da tua eloquência sofrem dessa pequena doença onde o viver sem ti se torna o maior dos desinteresses humanos. Como pronunciar a indeterminância de Danielle, que atroz e violenta varia a todo momento?  Onde busco a linguagem que figure o existir ao teu lado?  Não, eu não me permito mais do que esse mero ensaio, curto regurgito de teu espectro. Eu não preciso mais do que isso, pois te retrato todos os dias em cada livro que leio, filme que assisto, em cada arte que admiro e utopicamente sinto como se toda história arquitetasse teu nome. És o meu fascínio cotidiano e tua sede poética do mundo rasga essa folha de papel pela metade... te narrar é paradoxal quando tu mesma já é a própria fábula de si.

Um comentário:

Gyzelle Góes disse...

Essa Danielle é um ser fascinante, já me apaixono nem mesmo ter olhado para os olhos dela. Me apaixono por teus escritos,Marcela.