sábado, 3 de maio de 2014

Maculada

Quero-te como um bem amante amigo, como tu, eu, e todos os meus poemas gritam para que o mundo também saiba, mas
Não permites
Com tua muda razão, me agrides
E deixa à esmo e ausente desenho do amor perfeito,
Por serem tuas portas grandes ou pequenas demais afastas
Meu corpo, que na idealização do imaculado, tanto insistes
Me explica, meu bem, teu inquieto peito. Me explica tuas lágrimas?

Nossos olhos boêmios atirados pela lenha da casa, aguardaram o entardecer orados das palavras mais belas possíveis e vimos
Surgir as manhãs que eu tanto canto e tu veneras!
[Me perpassa o sangue mais quente que rasga e grita o tempo inteiro pois tu és sim a culpa de toda a minha incompreensão que vai e volta com um gosto amargo na garganta me lembrando um porre ruim que tomei em teu nome]
E no vão da porta que me encontro, olho para trás como último resgate
Do caos e contradições de teus discursos e olhares
Que de tal forma absurda ainda reconheço como lar
Careces de meu colo quente, minhas palavras doces e todo o mais demorar carinho que precisar
Sei pois exiges que eu vá e não me deixas partir
Tua loucura molda essa paixão doentia
[Quase ininterrupta que rouba noites e noites, cartas e cartas e manhãs e cigarros e manchas e conversas e meus deus, onde estará a paz do amor que dito?!]
Mas olho para trás com esperança do último resgate
Antes que tua loucura me afaste de ti,
Pois não sou a mulher inabalável, meu bem.

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