segunda-feira, 9 de junho de 2014

Segunda

Anseio acompanhar o teu sussurro, melodia triste que incide em meus ouvidos. Gritar teu nome até que ele arrebente o vigor de minhas cordas vocais, pois tua presença em meu corpo é onipresente e mortal. Estás a todo momento pairado em mim como um suicida louco que declama sua última declaração de amor desesperado, ditando a sina de um destino que renuncio. Não, não pronuncie nada sobre o futuro, sobre o hipotético e irreal... Seria um grande equívoco falar do amanhã, pois não temos chances de um amor duradouro. Eu quero apenas insano, intenso e desvairado como teus olhos boêmios e cheio de desejos libertinos. Eu abdico minha sanidade futura para sentir tua trêmula respiração que me apavora repousada em mim durante a noite, adentrando meu corpo melancolicamente com toda tua sede. Anseio acompanhar tuas mãos que me percorrem, compreender tuas linhas que arriscam conquistar minhas terras, conhecer tua mente confusa, dançar a tua música.  Desejo fazer parte de ti enquanto formos um só e levar de nós a lembrança de um amor infrutífero, porém belo. Recheado de tudo aquilo que me cala: a vontade, a consumação e a paz que segue silenciosa, levando nossos segundos, lavando nossas almas. 

3 comentários:

Anônimo disse...

É um sentimento tão lindo quanto aterrorizante, né não?

Gostei do texto.

Marcela disse...

Sentimentos costumam me assustar, defeito meu. Obrigada!

Anônimo disse...

Acho que todo mundo se assusta. Só que uns ignoram e outros vivem pensando nisso. Não decidi ainda o que é melhor. Nem se tem escolha.