terça-feira, 22 de maio de 2012


“...Gosto do gosto amargo na boca, as janelas escancaradas, hoje me vesti somente com a luz do dia, talvez numa tentativa fracassada de te sentir junto comigo enquanto amanhece. Mutabilidade de sensações, as nuvens planadas, alaranjado doce, tudo corrido... Assim é mais prazeroso, dia manso e ações corridas. Gosto de contradições. Você inconstante, eu contraditória! Opostos, polos. Nossa sina? A rua está úmida, sou capaz de sentir através de meus sapatos. Os vidros de carros embaçados, a noite deve ter tido orgasmos insanos para nos zombar dessa forma lúdica. Meu coração acelera, o ônibus chega... Meu ímpeto de mistério é absurdo. Não sou e não me ensaiei, não me importei em saber que você me observava, até mesmo gostei daquela sensação de invasão. Você sai, mas não te vejo, somente por décimos de segundo pude beber do restinho do canto de seus olhos – se é que eram teus olhos – E tudo que posso pressentir é que algo grande está por vir [...]”

Um comentário:

Nathalie Klafke disse...

"se é que eram teus olhos" senti a dor do desconhecimento conhecido em mim.