sábado, 19 de maio de 2012

Astronauta

Eu sobrevivo de amor e poesia
consciente de que a qualquer hora
posso morrer por escassez
Mas antes de morrer pela falta,
morro pela injustiça de estares
tão longe de mim.


Morro e choro por me ferir até
com a voz do rádio que com esse sotaque
já me refaz refém de recordações intensas de tardes
bem tardias que ainda não chegaram
aquelas com tua voz no meu ouvido
se fazendo onipotente em meu peito assustado.


Mutável, sempre fui, mas o que nunca foi
você é capaz. Conquistar devagar
sem anunciar chegada alguma.
Estou presa a ti e tudo que faço é imaginar
nosso contato celestial, teu toque de lábios robustos
macios unificados ao meu corpo todo que não se move
embaixo de teus braços pesados que me fazem silêncio.


Quero cantar nosso romance que ele pode ser bem grande
E quando maior, mais feliz serei por acordar e poder gritar
que sou tua! que sou tua e que a distância não me assusta!


Atravesso os mares, sobrevôo os ares se for para
esboçar qualquer sorriso teu. Se for para ter na memória
a lembrança quente da mais física noite bem dormida
após os emaranhados em tua cama amontinada
Atravesso também o tempo, não cansaria de esperar o teu chegar
e nosso verbo inteiro amar aos poucos concebido.


Eu poderia lhe entregar meu coração, eu poderia deixar-te
levar embora qualquer angústia ou medo que me rege
eu poderia e irei lhe confidenciar meus segredos,
e sem nenhum tipo de promessa, pois viver isso contigo já me é a dádiva
de um pedido feito há tanto tempo ao deus que nem acredito
deixados às nuvens pairado silencioso no aguarde do dia
em que de suspense me aparecia um grande rapaz
testemunha de um ser excêntrico, toda a complexidade possível
para eu jamais cansar de desvendar,
toda teimosia imaginável, para jamais parar de cuidar.


Quero teus olhos escuros me chamando sem dizer por onde andar
tua fala dos céus para eu poder recitar os mares,
o nosso próprio universo quântico imenso!
Visível até aos três mil séculos seguintes se meus cadernos forem poupados.
pois não perco uma deixa para transcrever o que me alegra.


E permito que a esperança me conduza à vontade de avançares
pelas minhas terras guardadas em segredos, exatamente para o dia
em que vieres de surpresa, sorriso nos lábios, mochila nos braços
Vamos embora, meu amor
que provoca, irrita
e me quer bem.

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