segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Fúria


Abrupto, era a confissão do farol
O farol da ilha que não existia,
Inabalável do oráculo que me acenava
Com gosto podre do sanduíche
- de mostarda esquecido no refrigerador.
Avistando a ilha de sete lados verticais,
E a fúria constante das ondas
Segredando em sussurros
Vá; pois mente
Fique; perdeste
Deixe-me na maré levar
Toda saudade e emoção esdrúxula de papel antiquado
Algo está errado.
Vi crianças andar em trilhos com a felicidade da infância que não tive
Quebrei meus dentes mascando meu ódio,
E o cheiro podre do lixo lavando-me a alma,
Agasalhei-me em solidão - Ela volta.
É o fado - Ela volta
O verde, o âmago, o alto, o Luria, aceite!
Não existe beleza nestas praias,
O vento arrasta toda areia limpa,
Fica e permanece o decadente e a dor do inconcepto
Eu reclamo de boca cheia.
E as lágrimas não me anseiam mais,
A poesia de amargura nesses mil olhos famintos,
Que me devoram sem gosto de triunfo,
E contam histórias com o silêncio do íntimo
Cai, agarra,
Cala.

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