terça-feira, 5 de agosto de 2014

De muito

Sentir é fatal quando não se há palavras.
 "Estou perdida", penso.
Ocorre-me um insight qual eu poderia facilmente chamar de derrame <cômico>, as palavras possuem substituições e sinônimos, mas jamais trazem medidas justas de significado. E de todas as medidas possíveis em meu vocabulário, nenhuma cabe nesse meu sentir inexato, estou engasgada. Meu insight veio violento e me atormenta, me observo de fora e despercebida, me vejo num filme mal feito e clichê, programado para surtir sentimento algum em meus espectadores ausentes. Minhas mãos tremem, não as vejo como antes, parecem não mais serem minhas, suas agilidades e formas se diferem das mãos que conheço, como me apego à estas mãos que não são minhas e seus delicados traços, a forma sutil de percorrer o teclado. Clep, clep, clep, o único som de meu quarto, eu estou enloquecendo. Ah, deus, o que irei fazer se em mim não creio e não tenho mais ao que recorrer? Crio mil e uma teorias sobre minhas mãos que não minhas, juro pelo ar que preenche meus pulmões: estas mãos não são minhas. Estão junto aos meus braços, como normalmente deveriam nesta realidade, porém não são minhas. Seus trejeitos mais delicados e agilidades múltiplas revelam que não pertencem à mim. Onde estão minhas mãos, se não estas são?! E estas são as mãos que me levam às palavras que pronuncio, onde divagam as palavras de minhas mãos verdadeiras e teriam estas as respostas de meus socorros? Sentir é fatal quando não se há palavras, me perco em minha inexatidão, enlouqueço pela minha própria língua.  

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