segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Catedral


Em meados de um dia ensolarado, sem refúgios pela chuva ou pela neblina, que me protegem dos olhos ladinos na rua, onde cada molécula de meu corpo eu sentia derreter e arder pelos poros da pele, transpirando uma pressa de não sei de quê, pois andava pela rua sem rumo e direção certa. Correndo e não respeitando os semáforos, não tardou para meu fôlego exaurir. E o instante de silêncio entre o inspirar e o expirar de meus pulmões buscando violentamente o ar denso daquela atmosfera febril, foi instante da colisão de meus olhos nos teus passos curtos e sem pressa, ao contrário dos meus. Contrariamente também passos certos em uma direção. Invejei tua certeza e a suavidade que teus sapatos tocavam o chão. Agora dentro de mim aflorava uma quietude que alimentavam meus olhos atentos nos segundos que possuíam tua presença. Logo partirias daquela rua, partirias também meu coração que palpitava forte almejante de ti. Me perguntei quem serias, para onde irias, quis te seguir para onde fostes, desconhecendo meu rumo, mas possuinte de um. Serias meu destino final, mas não tive coragem de mover um músculo, meus olhos continuaram fitando teu rosto, teus olhos cobertos por um par de lentes escuras que te protegiam do sol e perpetuavam a dúvida de minha invisibilidade. Não sabia se me vias, mas sabia que te via e que partias para perto de um cenário onde eu poderia nunca mais o ver novamente. O sol me alardeava, na manhã seguinte minhas bochechas quentes ardiam, assim como meu ódio pessoal por não ter ido junto à ti. Revivi durante semanas este ódio, me rogando pragas e fazendo promessas para quando o visse novamente. Agora parto pelas ruas da cidade com a mesma pressa e sede daquela tarde ensolarada, procurando te cruzar pela aquela mesma rua e a andar conforme teus passos lentos.

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