domingo, 2 de dezembro de 2012

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Como qualquer verdadeiro curta metragem da vida real, tivemos um final trágico. O amor só existe em livros, nos livros que não narram a minha vida, meus pensamentos conturbados e principalmente o que eu sinto por ti.

Te encontrei forjando risadas e envergonhada, embora fosse nosso trigésimo segundo encontro, embora eu já tivesse visto sua face se contorcer em orgasmos, dormindo, espirrando e coçando a pouca barba que tens. Embora tudo isso, te encontrei como se fosse a primeira e já havia esquecido da veludez dos teus lábios grossos e da leveza da tua mão em minha nuca.

É claro que eu ri tolamente e fracassadamente brinquei com coisas bobas entre a gente, agi como uma garota e não como a mulher que eu realmente sou por dentro. Eu queria sua atenção, há muito tempo não ficava cara a cara contigo sem nenhuma outra pessoa que nos causasse perturbações. Tínhamos que conversar, mas eu patinei pelo chão polido e brinquei de escolher meu presente preferido pelas vitrines. Preferível acreditar que essas coisas frívolas são o frio suficiente na barriga que me eleva durante os dias.

Bebemos cerveja, nos mordemos e aqueles arrepios malditos trouxeram o passado tão onipresente suplicando para ser resgatado, algo estava errado. Acendi um cigarro e nos aproximamos... quando, finalmente, por alguma desgraça do destino nossos lábios se tocaram, aquela mágica babaca aconteceu, como se nossas bocas fossem feitas do tamanho exato para se encaixarem e nunca mais descolarem. Como se fosse um crime inato não estarmos juntos.

Mas, como qualquer verdadeiro curta metragem da vida real, tivemos um final trágico. Jazer descolada num amor sem palavras, sem rumo e transparência. Eu preciso de ti, mas preciso de ti inteiro... e isso jamais poderás de dar. Você disse com os olhos a patética covardia que te rege. A chuva me levou embora e o “eu te amo” que sussurrei uma única vez baixinho no teu ouvido enquanto dormias, ficou comigo. Roubei-o de ti.

E eu nunca mais serei tua.

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