quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Fosco


Não estava no auge dos meus dezoito anos, mas nestas primaveras eu já estava experimentando a terrível e amarga sensação de estar sozinha. E o pior, com medo. Dissimulada, apenas reclamava e jogava pragas à um deus que eu não ousava acreditar. Tudo porque a vida em sua infinita crueldade teimava em me zombar com os mais belos dias chuvosos, frios, regados de dores que carrego desde o parto por ter nascido prematuramente desesperada pelo amor. Sim, procurava-o em todos os infinitos cantos. Cantos e poesias trêmulas escritas nas paredes descascadas do quarto escuro dos meus sonhos lúcidos. Eu estava sozinha. Definhando e lutando para andar contra pequenas brisas que se faziam tempestades, enquanto tudo permanecia me dizendo que respirar era uma escolha, a qualquer hora eu poderia simplesmente fingir, vestir-me de vegetal ambulante, frenético, autônomo. Seria eu uma terrível masoquista, apaixonada pelo sofrimento que meu próprio consciente criava? Perguntava e jamais com respostas, escrevia. Chorava por dentro... não haviam lágrimas para acalento. Não, havia um enorme, tenebroso, fétido e sem escrúpulos buraco dentro do meu peito palpitante. Exacerbado de loucura, fantasia e amor pelas coisas frívolas, bobas e de pouca duração. Como minhas paixões. Depositei minhas forças, minha doçura, amor e esperança de encontrar nelas o que incessantemente faltava em mim. Esse brilho que com o tempo transformava-se apenas em uma gota densa e vermelha de sangue que ninguém mais reconheceria se não adentrasse meus ocultos sentimentos, insensíveis pensamentos e descobrisse um pouco mais de mim...

2 comentários:

broobzz disse...

me identificando eternamente em: 3..2..1!

BLOGUERAS UNIDAS disse...

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