segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Interlúdio

Olhou para o relógio,
são quatrocentas possibilidades
e reduzindo à realidade,
sobraram-se cinco.
Capacidade totalmente metafórica
de fugir de si.
Por isso escreve em versos,
o que deveria ser dito em prosa!
Pega o casaco, desde já
anda a sós com a amarga
transição de pensamentos
masoquistas.
Conquista a rua, vazia
e olha, até chove
então sofre! mas não há lágrimas.
E em algum universo distante dali
se encontra "um maço de cigarros, por favor".

Passou, repassou, perpassou-se
Implorou lá dentro, até chove
Então sofre.

Fogem, fogem as lágrimas
Letras, rimas, versos e prosas
Sofre! Não há lágrimas
Nunca há lágrimas
Há de cantar por fúria
Desta maré rasa
Que arrasa
Em subterfúgios fáceis
De palavras

E vê, é o quarto cigarro
E o céu ainda a pede:
Vai, menina! Sofre! Mas há tanto tempo
Se conhece – como ninguém conhecerá
E sabe – não haverão lágrimas
Nem dor, nem rancor
Só esse seu irremediável pudor
De deliberar o caos
Dessa sina
Liberdade.

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