quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Hei de ser

O que eu lhe diria,
Se após essas palavras
Eu me possuísse vazia?

O que eu faria
Se após o rompimento,
Após todo o sofrimento
Eu me degolasse em lágrimas
De arrependimentos
E desgraças?

Mas eu o amo, ininterrupto céu
Eu o amo e amar traz-nos a façanha
A barganha da paciência

Esperar-me-ei, pois não sou completa
Não tenho a completude
Para dar-te toda a felicidade
Que a descontinuidade da minha incoerência
Não permite

Esperar-me-ei, pois te esperei antes
Por extensos e sofridos anos
Esperei ansiosa e até mesmo próspera
Pela vinda, pelo beijo, pelo nosso âmago
De temo-nos por inteiros
Em nossas intermináveis tardes de amor

Que hoje não mais quimera é,
Mas o presente da minha eterna veneração
Desse teu olhar manso
Navegante do meu corpo.

Porém
Mapeaste minha individualidade,
E me condenaste ao previsível
Mas

Esperar-me-ei
Pois eu sei
Que é no meu seio
A tua real morada.

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