sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

03:03

Eu tenho esse desejo alcoólico
Sem gostar tanto de álcool
Só que a sobriedade
Me apetece menos
E é assim que engulo 
toda dor em embriaguez
goela abaixo
Como se fosse a cura milagrosa
de minha estupidez
Bebo porque o amor acabou
Bebo porque meus sapatos fazem
um barulho delicioso no asfalto
Bebo porque é tarde e
celebro os semáforos que não funcionam
E há quatro anos que bebo nessa rua
e sempre sinto a mesma paz
E é no silêncio dessa rua
onde bebo
que me encontro
e onde posso
reinventar-me.

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