terça-feira, 14 de junho de 2016

Minha dor é tão real quanto este quarto. Minha dor pertence à realidade tanto quanto minha própria carne. Eu não existo sem ela, minha dor legitima minha existência. Dói, dói na garganta, toco a minha tranqueia e encosto onde minha dor começa, como se houvesse engolindo agulhas e elas parassem ali, horizontalmente, furando milímetros de cartilagem. Minha garganta rasgada é nascente de um choro que às vezes não sobe, dói quando não choro, me engasgo em minhas próprias lágrimas quase durante todo o dia por vergonha de demonstrar minha dor, mas a carrego comigo o tempo inteiro. Dói minha garganta. Dói meu peito, dói a dor do fundo dos oceano, comprimindo meus pulmões, arrebentando meus ventrículos e átrios peito a fora. Perco a respiração e me desespero, agonizante pela dor de um coração mutilado e o impedimento de respirar, não há espaço para o oxigênio dentro de mim, sinto a carne de meu peito unir-se a carne de minhas costas. Dói. Dói a boca de meu estômago, numa acidez que borbulha. Dói tudo dentro de mim. 

Nenhum comentário: