terça-feira, 2 de abril de 2013

200

Às vezes amo-te tanto que absteço-me até de escrever, basta-me sim viver ao teu lado e ao pé de teus olhos (que não têm íris), entrelaçada em teu corpo quente, mergulhada em teu também sangue fervente que suja os lençois de minha cama de solteiro. E é assim que acordo pela manhã, satisfeita com o que temos e por ser tua. É tão difícil falar do real. 
Vieste com fúria e sem dó, não há nesta terra quem entenda o verdadeiro motivo de ter sido você. Eu apenas soube desde o primeiro dia que você me marcaria - e não falo apenas de marcas de cigarro - me habitaria e renovaria minhas concepções de sentimentos que já acreditava conhecer. A linha tênue que separa o palpite da certeza. Certeza. Acho que é o nome maior que me segue contigo. Talvez eu já não saiba poematizar, mas para que servem poemas se quando estamos sós, aos gritares silenciosos de meu travesseiro, dividindo-o ternamente, quando estamos calados - nesses maiores momentos - eu já vivo todas as grandes poesias? Por que deveria me preocupar com a escrita que no papel já não é mais minha, se eu vivo contigo os meus maiores sonhos? Tateamos terrenos novos e rimos quando batemos canela. Rimos. Rimas, rimando atrozes eu grito: nosso amor é uma das melhores coisas que já me aconteceram.

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