quarta-feira, 6 de março de 2013

Ana


"Formidável era seu nascer, sempre entre retalhos de sua noite passada, amanhecia com a mais doce face cansada: ela era amante. Amante do dia, do sol, do calor e de suas rubras maçãs do rosto, vermelhas e suculentas. [...] Abraçava o mundo como se tivesse tamanho o suficiente para tal, sempre atrasada, tropeçava degraus abaixo e gaguejava degraus acima até sua aula. Estudava querendo entender o espaço, compreender a humanidade, entrar na vivacidade das cores e geometrias. Íntegra, amiga, forte, oriunda de sorrisos e gozos frenéticos e azarados. Brotou do coito detido entre dois amantes errantes, mas veio inteira, com vontade da vida. Era ela sozinha e de mais ninguém, uma laranja inteira que recusava metades, pois viver já lhe bastava. "


Um comentário:

Poeta morta disse...

Direto,sem tanta riqueza de vocábulo, porém, rico de verdades, carícias, coisas que despercebidamente toca, toca mesmo. Bonito.