segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Saudade de mim

Minha vida usual, com os mesmos repetidos padrões que eu colocara sem perceber. Toda manhã o café do mesmo bule e o mesmo cheiro de lavanda pela cama. Não exagero - diga-se de passagem que sou exagerada - mas desta vez quis ir ao extremo. Acordei com uma vontade seca que encontrei escondida embaixo da língua, vontade seca do que me faltava e que anseio quase aos gritos toda vez que percebo que não sou o que sou por direito de nascença. Não sou por bobagem, pois eu deveria, tenho o corpo e (às vezes) a alma que me foi entregue, mas não sou. Não sou eu, porém deveria... sim, eu deveria ser eu. Esta provavelmente é a hora que eu me pergunto o que sou eu, se não sou eu - adversidades - mas não possuo respostas. Simplesmente assim, sem muitas complicações além da fala, decidi ir ao extremo e ser eu. Subiu-me uma conturbação nostálgica dentro de mim, havia muito que isso não acontecia, havia muito que eu deixara minha vida no igual para igual. Sinto o quão comum é se perder, não me culpo por esquecer que sempre fui ímpar e não par. Me culpo pelo tempo tempo arrastado e agora provo dessas intermináveis horas de desculpa que tenho pela frente, o meu deleite. Assim, acordando sem aviso prévio para ser eu e no extremo de mim, lembrei-me do que amo: a poesia. E a pude ver, após muito tempo, em cada canto do meu quarto, em cada fresta de asfalto e em todo a sonoridade da cidade urbana.

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