sexta-feira, 26 de julho de 2013

Peso

[...] Me lembro de nosso começo envergonhado, onde tudo nos era novidade e o medo era o que sentíamos. Eu mesma não conseguia dormir ao teu lado, precisava que tudo fosse perfeito e as poucas horas que eu tinha contigo te observava, estava apaixonada. Eu precisava de cada canto teu, cada segundo da tua respiração conturbada. Amava tudo em ti. Cada espirro, risada, história e as demonstrações de personalidade que você mostrava timidade e as quais eu ia tecendo minha manta sobre quem era você. Quem era você. Me doei a cada encontro, tentando te dizer que eu era diferente de tudo que você já havia enfrentado, eu queria ser única, especial, intensa e uma novidade perante tua vida que você tanto costumava reclamar. Eu quis te salvar. Te salvar da insensata percepção de que a vida é apenas isso, uma mera retrospectiva constante dos dias maçantes. Não, eu queria te mostrar que há muito mais dessa exuberante combinação de cores, cheiros, pessoas, momentos, histórias que chamamos comumente de... vida. Eu queria te mostrar a sinestesia, a poesia, a melancolia dos sentimentos puros, as noites embriagadas e o que mais quis te mostrar foi o amor. Aquele que sentimos sim, com a maior profundidade que nossos poucos anos de vida conseguem alcançar. Nos amamos nos olhando, nariz com nariz, pupilas com pupilas, mãos e mãos, pele e pele, nos sentindo um pouquinho mais, cada dia. Construímos uma relação como eu imaginava, única. E ao querendo te surpreender, eu acabei me surpreendendo também. Me surpreendi sentindo mais do que eu fui capaz, me entregando mais do que era e assim, sendo completamente tua. É claro que eu lutei e é claro que você lutou. Eu lutei para te conquistar, para te ter comigo, lutei contra teus atrasos e horários, lutei contra teu silêncio, lutei contra alguém que não queria ser meu. Você lutou contra tua barreira anos a fio construída envolta de si, lutou contra tuas verdades, lutou contra tua própria vontade de não querer se relacionar. Lutamos e até hoje não sei dizer se vencemos ou perdemos, mas estávamos lá. Eu e você, você e eu... num finalmente nós.[...]

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