sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

03

Tentei escrever e não consegui, não era possível. Partes de mim me fizeram crer que eu havia deixado de ser humana, deixado as minhas mais ordinárias qualidades até me limitar ao extremo da felicidade. Eu não me queixo, padeceria ao ínfimo do meu corpo e até o últimos de meus conscientes dias, feliz... mas como é estranho estar assim. Habituei-me à desgraça, ao torto, ao passo em falso do destino e à todos os socos na boca do estômago que a vida me dava. Habituei-me às lágrimas banhando meus lençois, à solidão diária e ao ruído irritante que eram todas aquelas risadas e fornificações alheias. E agora, quando abro meus olhos, careço da tua íris cansada me chamando para nossos beijos e sopros pelo corpo e penso: te amar é a minha calma. E ao contrário do que eu acreditava, a alegria pode ser minha real sina.




Um comentário:

Poeta morta disse...

Mostra como tudo é tão efêmero e doloroso, ao mesmo tempo que bom e viciante. Estamos sempre a procura de algo e o que esse algo seria?