segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Novembro


Será que só eu estou achando
que novembro tá muito estranho?
era para terem beijos deleitosos 
e amores e carinhos e afagos
com mordidas e olhares de ternura

Mas não, tá assim nublado
com conversas corriqueiras
e pensamentos conturbados
deixando-me com vontade de ti
sem te ter,

E teu silêncio me mastigando
minha saudade apertando
sem sonetos
sem segredos
só desejos
de você

Novembro tá muito estranho
cadê você deitado na cama
feito gato dengoso
debruçado com ronronos
me chamando?
cadê teu bom dia no pé do ouvido?

Não aguento mais a nostalgia
que me pega e guia receosa
e olha que hoje é apenas
a primeira segunda do mês
Sus[piro]

Eu aqui querendo um sossego
rock na cabeça e frio nos pés
pra acordar de manhã com você preparando o café
acalmando minha pressa
me beijando a nuca
com a mão no meu ventre
mordiscando minha orelha
sussurrando “vamos, moça”
me levando pra cama
com corpo e mãos quentes
eu aqui desejando palavras tuas

Mas não, novembro tá estranho
e me furtando as noites
minhas noites de insônia e vigília
nas bobagens da minha tristeza
minhas noites da tua ausência

Um comentário:

Poeta morta disse...

Fiz um poema parecido uma vez, e nossa, eu tenho um fascinio por novembro! Ele sempre está estranho, acostume-se.