quinta-feira, 28 de novembro de 2013

II

Tornei-me templo esquecido
que sente dor e sofre escondido
abasteço-me do pouco que ainda me habita
do grande amor que em mim definha

Se me amas por que me feres?
vivendo de esperar
que de tanto tentar, desaparece
Paixão cruel que em mim perece

Constante inconstância, eternas dúvidas
Já não sou compreensão
tornei-me aquilo que mais temia
o desprezo de nossas vidas.

I

Será que te verei
será, meu bem
pois desde o último mês
sobre nós, nada sei

Cometerás novamente o sequestro
de meus sentimentos e roubar meus versos?
Cantarás nossa história
me devorarás com mais mistério?

Quem me dera tudo fosse assim
como escrevo todo o tempo
como labirintas em meu pensamento
quem me dera não termos fim

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Há muito observo além
e tento compreender
as tuas linguagens
Através da sensibilidade
que não me pertence
vejo que como ontem
tu já não se amas
e que teu semblante confessa
o que teus olhos já condenam
Não és o definhar
és manhã e não o entardecer
como previamente anuncias
me aterroriza pensar
que aquela que me deu vida
a própria vida renuncia.