quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Dos Mares que me deixaste

Acho que serei atormentada
por todos os sábados e domingos
E todas as tardes de chuva me recordarão
que vivo em tempos sombrios
Carregarei no seio a memória
de beijos e falas que até mesmo o mar
nos visitava para contemplar

Pela orla que cruzastes em meus deleites
feito de mim a meretriz de suas noites boêmias
Ancorei-me em teus braços, ao desespero
em choro e em lamento, afinal
Sou mulher.

Neguei ser menor e tropecei utópica, certa
de que haveria em ti eternidades
do meu lar.

Contei os fadários peregrina
de suas costas maviosas que tantas
já traçaram suas próprias rotas.
Bebi dos teus olhos café que nuviosos
proclamavam baixinho, inaudíveis
que eram negros abismo, não bebida.

Recusei, então, perpetuar o que minhas cartas
já o haviam feito. Não há como fugir
do amor que eu mesma já contei
o amor que meus lábios presenciaram e
que minha carne em nostalgia revela
O líquido desse amor violento
eternamente em mim manchado.

Desconheci tua fúria,
me fiz tola diante de erros irremediáveis
mentiras e minhas eternas fugas dissimuladas
as quais não somente eu cometi.

Não haverão de negar de que
apesar de impuro, era amor.

Fui feliz e de ti me satisfiz
mas também
fui amarga, fria e cometi pecados
e abandonos, quais não me perdoo
roubei de ti o brilho em que me envolvias

Eu deitei em teu colo incontáveis vezes
me entreguei a ti, envergonhada
e me tomaste mesmo em nosso confronto
pois não admitíamos nosso companheirismo
e amizade além paixão
Esse real sentimento que sabe se lá como
se perdeu nos mares, nas tardes
nas músicas e nos olhares
Perdoe-me, Céu
Te traí.

Perdoe-me, Céu
Te traí.

Mas, te culpo magoada pelo aviso que deverias
ter-me dado
de que já em teus braços
não me cabia mais espaço
de que teu passado lhe tomaria o atraso
que eu certamente devo ter causado.

Sou assim, pequena, atrapalhada
em minhas linhas, náutica
eutópica, competente de todo o amor que guardo
e todo amor que espero
recomeçar a dar
se algum par de olhos, algum dia
me enfrentar.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Alameda

Ando meus dias torta, ambígua
querendo um canto, despejando desprezo
mas, qualquer um que me diz olá
e me encara os olhos, escancarando minhalma
Vê que não sou assim,
Ando soprada, uma flor conjuguê de mim
Desesperada e deflorada pela minha fala
Que esbanja esse perfume forte, de dias
E de definhamentos bem vividos.


Eu não consigo parar de andar pelas novas estradas
E contígua, esbarrando em ombros fortes
Em olhares cheios de enigmas que não procuro
decifrar
mas que me impelem meu antigo ímpeto
De explorar.


Estou séria, sóbria e serena
Caibo em mil jardins imaculados de esperança
pois estou séria e serena,
e contida de uma alegria antes
suspensa em minha curta estadia pela vida.


Conheci um pequeno alçapão dentro de mim
com a porta moldurada em camuflagem de tons azuis
Sinto que dele, só pertence à mim o conhecimento
Das várias noites de lamentações
e dias de socorros impiedosos
Porém fiz neste vale infausto de memórias
desague de todas minhas mágoas antigas


Pois, hoje
Ando pura, torta e esboçada de silêncio
Ando procurando novas histórias.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Azul imperial

Sim, Citaram-me o tempo e as horas,  
E por esses dias, tenho declamado
A existência real desse dilúvio
(creio que existem
muitos novos rios
regados de minhas lágrimas)

Mas, estão aqui, em mim
As novas vozes e confins
Estou por ver campos florindo
Tão bem incertos de ruínas futuras
E novos amores
Novos amores
Estou por sentir as próximas estações
E saboreando os vinhos frescos
Que correm pulsando desesperados
Em veias fartas de bocas que desconheço
E corações até então despovoados

São em águas novas que me banho do que está por vir
Aguardo, pelos Céus! Aguardo os novos corpos
Até mesmo os novos prantos
Em prontidão de faces e esplendores
- que me venham logo!
E que me afoguem sem pressa...