quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

E ela tem nome


Fazia tempo
E o tempo já não sei contar
Não sei se quero
Não sei se espero
Mas só fico aqui
Prostrada no vão da janela
A lamentar
Lamento os olhos
E as mãos
Que me doem
Eu não gosto disso
Eu sei 
Sei que não gosto disso
Mas parece
Que quanto mais na minha tristeza
Me finco
Mais quero ficar

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Servidão

Oh, queima aqui, oh
No início da garganta
E formiga a boca
Sofro de vontade de falar
Mas não consigo
Falho, aguo, grito!
Me rasgo
Das unhas à carne
Sedenta
Mas pobre, coitada
Mantenho-me em cativeiro
Dentro de mim
Pois não posso confessar
Meu pecado
Meu pecado!
Pequei, pequei!
Disse que não o faria
Mas
inevitavelmente
Eu morro de ciúmes de você

Desditos

E por medo de sofrer
Eu me nego ao mundo
E por dor
(de sei lá o que)
fico vagando-me
e seguindo os alagados
bebendo do clandestino líquido
escorrido de seus sorrisos
embreados de suor e
calúnias!
No fundo, sei que isso é amor
Mas percebo, peso, calo
Pois o arame farpado
Do meu interior
Que dói e me esvazia
Junto a vozinha estridente
sequestraram da minha garganta
a amada e heroica aguardente
fazendo escândalo
e causando tumulto
num oceano de calmaria
e pacífico de confins
convertendo-me em anedota
pobre de palavras
e rica em desgraças